Dilma nunca tiraria dos pobres para dar aos ricos, como faz Temer, diz Gleisi

Via PT No Senado

O governo interino de Michel Temer corta recursos dos principais programas sociais do País – como o Minha Casa Minha Vida – sob o argumento de falta de recursos, mas trabalhou na aprovação de um reajuste para servidores do Judiciário que custará R$ 58 bilhões aos cofres públicos em quatro anos. Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), essa seletividade mostra que Temer privilegia a elite do serviço público.

“A presidenta Dilma sabia das dificuldades orçamentárias, sabia que tinha de fazer um déficit em 2016, mas sempre mediou a situação. Jamais tirou, ou tiraria, dinheiro dos programas sociais para viabilizar pagamento de aumentos para o funcionalismo mais rico”, diz a senadora, em artigo publicado nesta segunda-feira (6) no Blog Esmael Morais.

Gleisi afirma que o governo interino promove atentados às finanças públicas do País, lembrando que Dilma foi afastada sob o argumento de irresponsabilidade fiscal. “É inacreditável que isso esteja acontecendo e os algozes da presidenta, principalmente a grande mídia, tratem do tema com importância periférica”.

Veja, abaixo, o texto na íntegra:

Pra que serve o impeachment – Gleisi Hoffmann

O agradecimento que o presidente interino Michel Temer fez à Câmara dos Deputados pela aprovação do reajuste salarial de funcionários públicos e do Poder Judiciário nessa semana foi nefasto. O feito custará ao Orçamento Público R$ 58 bilhões. Depois de anunciar um déficit de R$ 170 bilhões e cortes nos programas sociais e na previdência, o governo golpista privilegia a elite do serviço público e, para arrematar, cria 14 mil novos cargos na administração federal.

Afastaram a presidenta Dilma sob o argumento de irresponsabilidade fiscal, crime contra o Orçamento Público e por ter deixado um grande déficit orçamentário. Chegam ao Poder, ampliam o déficit e fazem os maiores atentados às finanças públicas?! É inacreditável que isso esteja acontecendo e os algozes da presidenta, principalmente a grande mídia, tratem do tema com importância periférica.

É verdade que muitos setores do funcionalismo precisavam de reajuste, principalmente aqueles que ganham menos. O governo Dilma já tinha feito as negociações com esses setores e enviado ao Congresso Nacional. O que Dilma não fez, e não faria, foi ceder e dar aumento para o andar de cima do funcionalismo. O que justifica elevar para R$ 39 mil o salário de ministro do Supremo, o que elevará o salário de todos os magistrados do país, e dos políticos, já que é teto salarial, e dizer que não tem recursos para garantir um salário mínimo para os aposentados? Só mesmo um compromisso torto, enviesado, que faz o povo pagar a conta de negociações políticas.

Como justificar para a população que o governo não possui recursos para manter o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, o Mais Médicos, os recursos da educação e saúde garantidos na Constituição Federal, mas dá um reajuste salarial que custará duas vezes o que se gasta com o Bolsa Família no ano, por exemplo?!

A presidenta Dilma sabia das dificuldades orçamentárias, sabia que tinha de fazer um déficit em 2016, mas sempre mediou a situação. Jamais tirou, ou tiraria, dinheiro dos programas sociais para viabilizar pagamento de aumentos para o funcionalismo mais rico. Tampouco permitiria pagar uma conta assustadora de juros diminuindo o salário dos aposentados.

O que estamos assistindo agora é a inversão completa do papel do Estado, desenhado desde a Constituição de 1988, reforçado durante os governos Lula e Dilma, em relação à maioria pobre do povo brasileiro. Estão voltando à velha lógica das oligarquias, da elite burocrática do Poder Público, da prevalência dos interesses parlamentares sobre os interesses da sociedade.

Mais ainda está por vir. Anunciaram uma reforma da previdência que é para tirar direitos dos aposentados e dos trabalhadores ativos; a trabalhista, que é para desmontar a CLT; o fim dos subsídios para micros e pequenas empresas, e também para a agricultura familiar; impor limite de despesas orçamentárias pela inflação, exceto juros! Tudo isso em nome da austeridade, de sobrar dinheiro para pagar o serviço da dívida, dar conforto ao sistema financeiro.

Isso é golpe, não tem outro nome. É para isso que estão tentando fazer o impeachment. Golpe forte no povo brasileiro que há pouco tempo começava a deixar de pagar a conta feita pela elite brasileira, que faz ou potencializa as graves crises econômicas. Por isso é Fora Temer!